4/28/2015

Relato de um MIB parte 2




Caro Philipe,

Desculpe ter errado seu nome na nossa última mensagem. Queria antes de tudo fazer alguns agradecimentos específicos por você ter cumprido o que nós pedimos sobre não mencionar as partes marcadas nem a terceira criatura.

Foi engraçado quando vimos as partes que você inventou e descaracterizou da nossa mensagem original. Isso foi bom porque deu um tom bastante contraditório com os primeiros parágrafos. Foi engenhoso dizer que as cabeças eram 3d. Qualquer um vai acreditar nisso sabendo que você trabalha com bonecos e essas coisas de 3d, mas acho que seria mais realista dizer que eram bonecos, já que você faz bonecos.

“No meu grupo estão dois militares da reserva, um médico e um ex-policial civil.” -> Muito engraçado. E o que dizer desse título aí “O relato de um MIB”… Me senti até ator de cinema lendo aquilo. Nós não imaginávamos que o senhor era tão criativo. As partes inventadas até que ficaram bem misturadas.

Obrigado também por aceitar nossa sugestão sobre o conto. Só não entendemos porque o senhor não publicou todas as fotos que enviamos. Não está lá a foto de corpo inteiro do número dois, nem as vísceras do numero um. Por que?

Em resposta aos seus questionamentos:

Não, não sou um Men in Black. Isso é folclore. Ocorre que do mesmo jeito que aqui no país, organizações anônimas ligadas ao governo dos EUA começaram a fazer o trabalho de catalogação, coleta de dados e materiais. Embora tenhamos começado mais tarde, nos EUA este trabalho é desenvolvido desde a década de 50. Inicialmente, os homens usados para a operação de “limpeza” eram funcionários específicos alocados em gabinetes federais, como na USAF, Pentágono e até mesmo na Casa Branca. Havia um restrito protocolo de ação a ser seguido, e os caras agiam conforme as normas da época. Andavam em carros pretos como 90% dos americanos de meia idade nos anos 50. Usavam ternos pretos porque isso conferia uma certa sobriedade. Se você fosse a um banco na América do Norte dos anos 50, o gerente estaria vestido exatamente como um MIB. Muitas vezes, as ameaças eram decoradas dos manuais e a repetição exaustiva produzia um jeito monocórdio e robótico de falar. Isso aumentou ainda mais a sensação e as especulações totalmente infundadas sobre ligações dos MIBs com aliens.

Só pra deixar claro uma coisa: Há uma enorme diferença entre humanos e aliens. Gente é gente, aliens são aliens. Existem aliens que parecem gente. Mas eu nunca vi. Já li uma penca de relatórios mencionando isso. Mas até hoje só vi aliens de carne e osso, e nenhum deles pareciam gente. Nunca vi alien com cara de inseto nem de lagarto, muito menos extraterreno de porte ariano.

Quando o fenômeno MIB começou a virar um folclore similar ao folclore alienígena, alguém teve a brilhante idéia de tirar proveito disso, espalhando fatos assustadores sobre a frieza e a maldade dos MIBs. Isso tornou o trabalho relativamente mais fácil, uma vez que contaminado pelo folclore, a simples visita de um cara com o terno e a gravatas pretos, falando de um jeito mecânico que a testemunha devia parar de falar sobre sua experiência com Ufos e devia se preocupar com a própria vida e a dos familiares, era tão assustadora e funcionava tão bem que os caras lá até ajudaram muito na construção desse mito. Não posso negar que até hoje, em alguns casos, o expediente da “visita do MIB” funciona. Sobretudo quando são aquelas testemunhas new age, com a casa cheia de incenso. Esses, morrem de medo dos MIBs. Tem vez que nem precisa mostrar a coronha da pistola nem nada.

Então, respondendo mais uma vez a pergunta, eu não sou um MIB, embora reconheça que a idéia de Mibs são úteis para o meu trabalho. Racionalmente falando, quanto mais religião, mitos, lendas e folclore associado ao fenômeno ufo, como Chupacabras, Jesus no interior de disco voador, comandantes de frotas estelares e etc, mais difícil fica de estabelecer o discernimento dos fatos reais, logo, mais fácil de desconstruir as evidências.

O nosso objetivo não é esconder a verdade para sempre. Não somos inimigos da verdade. Mas precisamos fundamentalmente manter algum controle estratégico das informações, porque se o povo souber de uma vez tudo o que já sabemos sobre a atividade extraterrestre – e ainda é muito pouco – vai haver um caos econômico sem precedentes no mundo.

Veja, hoje basta uma insignificante nota de jornal sobre uma potencial crise econômica num grande país, como os Estados Unidos, para haver um surto de medo nos investidores internacionais que derruba as bolsas ao ponto da economia de países em desenvolvimento ameaçarem entrar em colapso.

Agora imagine isso amplificado um milhão de vezes, junto com uma profunda crise religiosa, moral, cultural, e tecnológica. O combustível fóssil que movimenta economias inteiras ficando obsoleto em poucas horas… A pressão popular sobre os governos aumentará rapidamente. Todos vão querer saber por que os governos negaram o que sabiam, e o que é pior: As pessoas vão exigir de seus governantes uma ação concreta sobre o fenômeno. Acredite em mim quando digo isso… Não há nada que se possa fazer. Os americanos estão desde os anos 60 tentando fazer as naves funcionarem, mas o que eles dizem é que estão pelo menos 50 anos defasados em termos de tecnologia para compreender como aquilo opera. Não só para a compreensão, mas para atingirmos o ponto necessário para operar aquilo como fazem as criaturas. Estamos esbarrando em limitações de nossa própria constituição física e tecnológica. O buraco é bem mais embaixo do que se pensa. E se um governo não pode proteger seu cidadão da ameaça externa, para que serve o governo? Compreende a natureza bombástica deste choque?

O resultado prático disso é que muitas pessoas vão morrer. Podem morrer por vários motivos. Poderá faltar comida em caso de pânico social. Milhares perderão seus empregos. Da noite para o dia, indústrias milionárias perderão o sentido de ser, despejando pessoas sem futuro nas ruas. A necessidade de informações sobrecarregará os meios de comunicação. Todas as estratégias mundiais de longo prazo, em que países e fundos de investimento que movem o planeta apostam terão que ser revistos. Muitas religiões se posicionariam contra o fenômeno e não raro religiões de inetresses opostos deflagrariam guerra religiosa em função de alienígenas. A ampla maioria dos que militam pela verdade do fenômeno ufo iriam sucumbir pelos desastrosos resultados de sua própria luta. Não sou contra a verdade. Muito pelo contrário, só que quando você descobre a verdade, caro amigo, começará a querer que ela não apareça, e fará de tudo para que ela continue assim. Nós estamos todos vivendo num sonho de segurança. Não podemos acordar as pessoas deste sonho. Há um planejamento de longo prazo que envolve muitas etapas até que a verdade venha a tona. O único problema é que os discos malditos não estão sob nosso controle. Mas eles não estão interferindo. Pelo menos não de maneira incisiva. E isso já é alguma coisa.

Sobre aquela questão do sigilo:

Eu infelizmente não posso falar muito, porque corro o risco de morte e posso colocar minhas filhas em perigo de vida caso os dados que me identifiquem e os que identificam certas pessoas cheguem ao público. É por isso que eu peço para o senhor só publicar o que não estiver sublinhado e seguir à risca minhas determinações. Entenda que este assunto está bem além do que o senhor pode imaginar. As implicações do meu trabalho não incluem uma aposentadoria normal. É como se diz por aí: “A ignorância é uma bênção”. Por este motivo, eu queria lembrar que em caso de algum dado restrito ser publicado, mesmo que por engano, interromperei a comunicação com o senhor imediatamente.

Respondendo sua pergunta sobre a questão material:

Nos últimos anos, uma série de cortes nos “custos operacionais” começaram a colocar nossas operações em risco. Eu gostaria de poder dizer que operamos com a mesma folga financeira dos caras ligados à NSA, GRU, MI5 e outras agências, mas o fato é que os últimos dois governos foram uma merda até mesmo pra nós, que estamos no olho do furação.

Veja, o Palácio do Planalto faz a festa com cartões de crédito que bancam luxos, mas as nossas operações que tem os custos 90% cobertos com um complicado e burocrático disfarce de pesquisa tecnológica e consultorias de diferentes tipos, estão em sua maioria limitadas por pouca verba desde o início do governo PT. Isso causou problemas graves, comprometendo o grau de segurança necessário para o funcionamento do grupo. Temos agentes pagando as despesas operacionais com viagens e estadias tirando do próprio bolso. Chegamos ao ponto de pagar para trabalhar. Nas últimas reuniões em que participei com meus superiores diretos em Brasília, reclamamos da falta de estrutura e verbas operacionais. E aí surgiram as más notícias. Mas antes de falar delas, vou tentar explicar como tudo começou:

Até o governo Sarney começar, o que havia era um grupo fechado de oito pessoas de profissões militares, ligados ao CIEX, SAE, CIM, SNI, operando em todo o território nacional. Esses eram os antecessores do tempo do regime militar e dois deles são os nossos chefes atualmente. Cada um deles tinha pelo menos dois auxiliares. Era obrigação desse grupo levantar dados sobre o problema dos discos e eventualmente usar a força para manter o assunto quieto. Mas este não era o único grupo que estava interessado no tema Disco Voador.

Parece que a FAB tinha um destacamento paralelo trabalhando neste assunto. Mas os dois grupos não tinham ligação alguma. Na região sudeste, sul e centro-oeste o período entre 1980 e 1984 foi até tranqüilo. Quando o Governo Sarney entrou, a questão dos discos voadores até parecia coisa do passado. Por isso, o grupo de pesquisa e acobertamento ficava apenas metade do tempo dedicado a isso. A outra parte do tempo era dedicada a afazeres governamentais.

Tirando aquela revista “Ufologia nacional e Internacional” e umas publicações de segunda linha, o assunto dos discos estava relativamente sob controle até que uma grande onda de discos colocou tudo a perder. Naquele tempo o sistema de rastreamento via satélite era um sonho distante. Fomos pegos de surpresa. Foi uma onda muito forte em 86 e a coisa caiu na mídia. Tentamos impedir o escândalo até onde foi possível, mas quando a Globo deu o furo, com o ministro Otávio Moreira Lima e pilotos na Tv, falando abertamente de discos em todos os canais, foi impossível fazer qualquer coisa.

O fenômeno foi grande e surgiu uma forte pressão popular para a FAB abrir o bico e falar o que estava acontecendo. Isso suscitou uma reunião de estado para deliberar sobre este assunto. O ministro da aeronáutica chegou a prometer até um relatório detalhado na TV. Inicialmente, isso foi uma tremenda besteira, mas no fim das contas, o relatório prometido funcionou, esfriando os ânimos. As nossas pressões para que a Globo apresentasse no Jornal Nacional ainda naquela semana outras opiniões “mais abalizadas” de astrônomos, físicos e qualquer um que desse uma alternativa que não fosse “disco voador” ajudou a criar ruído e distraiu o povo. Assim que o fato saiu da mídia, começamos a trabalhar nos pontos negligenciados que levaram à aquela crise. É o que chamamos de reunião Post-Mortem.

Foi nesta época que surgiram as primeiras idéias de reestruturação dos grupos de investigação nacional. O da FAB e o nosso, gerando um só grupo multidisciplinar civil/militar. Foi quando eu entrei no jogo. Até então, eu trabalhava num laboratório ligado ao XXXXXXXXXXXXXX e quando fui convidado, nem sequer acreditava em discos voadores. Na primeira vez em minha vida, tive que decidir entre aceitar ou recusar um trabalho sem saber direito o que era. Ninguém falou em OVNIS ou Aliens. Eu estava pensando que íamos roubar para o governo alguma coisa secreta ligada a computadores da IBM. Eu só pensava que o interesse em mim era ligado ao meu trabalho no laboratório e meu conhecimento com maquinas. Eles foram bem claros na segunda reunião. Eles só poderiam me falar qual era o trabalho se eu aceitasse. Se eu recusasse, a conversa acabava ali. Mas se eu aceitasse, isso seria para a vida toda. E se eu abrisse o bico eles me matariam. Foram bem enfáticos sobre isso, de um modo que não dá pra duvidar. Eu pedi para pensar e eles me deram dois dias. Eu tinha terminado um noivado meses antes e estava morando sozinho depois de perambular por algumas repúblicas.

Fiquei com medo mas topei, porque a grana era bem mais do que eu ganhava e eu pagava aluguel. Além do mais, eles me garantiam um carrão e roupas bem legais. (ao contrário do que todo mundo pensa, nada de terno preto e camisa branca com óculos escuros espelhados e fone na orelha) Eles pagaram todos os cursos de aperfeiçoamento técnico na minha área. Parecia ser um excelente negócio. Se hoje eu pudesse voltar no tempo, talvez não aceitasse.

Eu entrei e participei do processo de treinamento de um soldado. Fui alistado no Exército Brasileiro onde comi o pão que o diabo amassou. Eles pegaram pesado comigo. Fiz inúmeros treinamentos e não podia falar pra ninguém sobre o meu trabalho. Após o período de adestramento militar eu passei para um tipo de academia, com os demais membros do grupo, onde estudamos o pouco que se sabia sobre Ufos, aliens e etc naquele tempo. Haviam uns poucos filmes e muitas fotos. Havia dados de satélite e pilhas de documentos e transcrições compiladas de vôos e gravações. Havia ainda alguns dados provenientes de revistas nacionais e estrangeiras. Estudamos telecomunicações, biologia, tivemos treinamento de combate na selva, treinamento tático, de assalto, vôo, sobrevivência e o pior deles, torturas. No grupo não havia ninguém com mais de 40 anos. A explicação para isso é que nossas carreiras seriam bem longas. Em compensação, estaríamos a um passo adiante sobre a realidade do fenômeno. Grande parte do nossos trabalho era gerar desinformação, ir ao local de avistamentos e preparar balões à luz do dia, junto com a imprensa, deixar a tv filmar. Para isso, nós tínhamos vários recursos engenhosos como crachás de universidades, carteiras de identificação militar de diversos tipos, polícia, polícia federal, jalecos, etc. Tínhamos um bom arsenal de piadas e se nada desse certo, dois caras iam até lá e faziam ameaças à família das testemunhas.

Um bom exemplo do trabalho de ocultamento é este:

Em 94 ou 95, chegamos até a esconder um parente próximo de uma vítima num trailer por quase uma semana para calar a boca de um fazendeiro das proximidades de Feira de Santana, que deu a sorte – ou o azar – de testemunhar uma acidente com dois ufos. Um se espatifou numas pedras em uma região rural praticamente desabitada. Esse foi resgatado dias depois, sem problemas, mas não sobrou quase nada. O outro, caiu numa lagoa na beira da propriedade do tal fazendeiro. O cara resgatou a nave, que estava danificada e de lá tirou dois corpos, um morto e um outro ainda agonizante. Eu não participei diretamente deste caso, porque estava no Mato Grosso num outro caso. Mas vi os relatórios e as fotos. O cara viu que tinha conseguido algo incomum e tentou tirar proveito daquilo, vender o achado para a tevê. Mas o sistema de rastreamento já tinha comunicado a central da FAB que acionou a equipe mais próxima pra ir até o local. Como era distante, foi necessário entrar em contato com a base próxima e solicitar ajuda, coisa que raramente vale a pena. Sempre que podemos, nós fazemos tudo sozinhos, e usamos as bases militares na região próxima apenas como pontos estratégicos, onde abastecemos os helicópteros, os veículos e eventualmente guardamos os materiais recolhidos até que o pessoal da logística venha e assuma a remessa. Naquele dia, nós chegamos lá logo depois do exército. Então apreendemos tudo. Uma equipe ficou na região esperando e monitorando os passos do fazendeiro que esqueci o nome. O cara começou a ligar e falar com jornalistas, ufólogos e etc. Continuava querendo aparecer em cima do caso, entende? Mesmo com as ameaças. Aí pegamos a parente dele como demonstração das nossas intenções.

Chegou a dar pena de ouvir mulher dele chorando no telefone, totalmente desesperada. Mas foi só assim que ele se tocou que podíamos realmente matar a familia dele. Aí ele resolveu ficar quieto e parar de atender telefones de ufólogos e jornalistas curiosos. E devolvemos a pessoa. Estou contando isso para mostrar que não há nenhum limite de ação para nossa atividade. Se for preciso matar, eles vão lá e matam, embora eu não goste nada disso. Acho que não precisa chegar nas vias de fato. Se souber fazer o trabalho, não precisa.

Mas voltando ao assunto, fizemos muitas vigílias nos anos 80 também, sempre traçando em mapas as rotas dos ufos, e usando esses dados para tentar prever os próximos passos das criaturas. Até em delegacias já tivemos que ir para pegar boletins de ocorrência. Não foi nem uma nem duas vezes que precisamos usar maços de dinheiro vivo para obter certas fotos, videos e documentos.

Como eu estava dizendo, o grupo da FAB seria então desarticulado e nos municiaria de dados. Em 1989 formou-se uma reunião entre diversos países sobre a questão dos UFOs. Essa reunião foi em Los Angeles e o Brasil enviou a pedidos da comissão internacional para tratar do assunto, três representantes do nosso grupo: Eu e mais dois superiores diretos. Nessa reunião, que aconteceu num centro de convenções na periferia da cidade, estavam representantes de diversos países, como Alemanha, Japão, Austrália, Canadá, Reino Unido, França e parece que havia até dois carecas lá da União Soviética, que naquela época já estava em avançado processo de abertura.

Nessa reunião, tivemos uma série de palestras iniciais sobre a questão dos Ufos. Ao fim da mesma, foi estabelecido um convite a cada país para ingressar em um sistema de investigação global do fenômeno, garantindo direitos de obtenção de benefícios tecnológicos diretos decorrentes das descobertas. Praticamente todos os países estavam às voltas com as questões de invasão de espaço aéreo. Além disso, soubemos na reunião que os OVNIS colocaram o mundo sob um iminente risco nuclear em dois episódios eficientemente abafados pelos EUA e URSS. Foram os dois países, motivados pelos riscos de invasão territorial no período da Guerra Fria que deslancharam as conversações iniciais que deram origem a aquele tratado de investigação conjunta.

Até então, era complicado justificar os encontros, e feiras e congressos internacionais eram as desculpas mais comuns. Viagens presidenciais também, porque elas são compostas de grandes comitivas de embaixadores, ministros e assessores. Posteriormente, em 1993, Durante uma viagem de Itamar para encontrar Bill Clinton, ficou estabelecido também um calendário internacional de reuniões para tratar coletivamente desse assunto. Este calendário, ocorre estratégicamente nos mesmos locais e datas das rodadas de negociações da Organização Mundial do Comércio, como a Rodada de Doha, Cancun, Genebra, etc, onde fica bem mais fácil para os governos enviarem suas delegações como partes da assessoria administrativa dos países participantes da OMC. Além disso, com todo o foco na questão das delegações e das discussões comerciais, nossas reuniões são facilmente encobertas. Nessas reuniões as novidades são postas na mesa, equipamentos de rastreamento, de contra-ataque, o saldo de casos, os resultados de diversas pesquisas e análises da atividade dos Ovnis, etc. Enfim, muita informação é trocada. Os EUA são os que mais gastam com este assunto e obviamente falam menos de 50% do que sabem.
O Brasil aderiu ao grupo tardiamente, porque essas decisões não deveriam passar pelo poder executivo, que estava sob ameaça em muitos países como o nosso, de vazamento de informações. Para piorar, não tinha nem ministro da defesa no Brasil. Nem o Sarney e nem o Collor alteraram essa situação. Nem mesmo os constituintes de 1988 conseguiram aprovar a criação de tal ministério. Uma proposta nesse sentido foi apresentada na Subcomissão de Defesa do Estado e da Sociedade mas se não me engano, o Ricardo Fiúza vetou a proposta alegando que “um ministro da defesa constituiria um grave risco para a democracia, pois ele se tornaria virtualmente um superministro no comando de todo o poder militar”. Havia um grande temor de outro golpe. A decisão de entrar no grupo foi tomada por um tipo de triunvirato que era a instância máxima ao qual estávamos submetidos. Embora o governo já fosse civil, estava bem longe do conhecimento do presidente certas coisas. A decisão foi muito mais motivada por um medo de ficarmos defasados tecnologicamente na América do Sul do que por interesse em Ets. Os militares estavam no maior salto-alto e fizeram diversas exigências com relação aos dados e sigilos com relação a eqüidade entre os participes. O medo maior era que alguns países ficassem com as melhores partes e os outros só pegassem cacarecos de informação. Basicamente, foi o que aconteceu, mas de um jeito um pouco diferente do que se esperava.

Assim quando entramos no grupo, chegamos bem atrasados, só entrando oficialmente como signatários no primeiro governo Itamar. O Brasil teve a sua primeira reunião (até então as reuniões ainda não eram em sincronia com as da OMC) ainda no governo Collor, no salão social do Copacabana Palace, durante a Eco 92.

A nossa contribuição para o tratado foi totalmente desenvolvida durante a gestão Collor, mas os termos de cooperação para o conhecimento extraterrestre só foi definitivamente aceito pelos demais parceiros no governo Itamar, porque houve um tremendo momento de instabilidade com a derrubada de Collor, que atrasou tudo. Eu gostaria de poder dar mais detalhes sobre o caso, mas isso é complicado. Pra se ter uma idéia, pessoas muito ligadas ao Collor chegaram a tentar chantagear a gente com o pouco que sabiam do mesmo, numa tentativa de preservar a estrutura podre e decadente daquele governo que já estava ruindo.

Nessa época, foi necessário endurecer o jogo e ameaçamos algumas pessoas de morte.Tiramos até o Paulo César Farias do país. Aliás, o PC era um pé no saco… Vivia se metendo em assuntos que não lhe diziam respeito e tinha um interesse excessivo em discos voadores desde que viu um quando era ainda muito jovem em Alagoas. Ele ficava bêbado e sempre repetia essa mesma história. As relações de pessoas do nosso grupo com o PC Farias azedaram de vez no fim do governo, quando desabou o castelo de cartas da turma de Alagoas. Por um erro estratégico, havíamos usado o interesse dele, municiando-o de dados no início da era Collor para provocar a criação do ministério da defesa, sob o qual, um guarda-chuva bem planejado estruturaria nossas operações. Queríamos só apressar as coisas, mas isso foi um belo tiro pela culatra, pois o Collor não foi macho para fazer o Ministério da Defesa e ainda por cima, quando a coisa pegou pro lado dele, com a PF no pé dele e até a máfia italiana, o Paulo César não teve medo de usar o que sabia posteriormente contra nós, ameaçando dar uma entrevista bombástica na Veja com gravações telefônicas e tudo mais se nós não usássemos nossa influencia para acobertar uma meia dúzia de problemas que começaram a pipocar, como as contas fantasmas e as pessoas do segundo escalão que estavam começando a dar com a língua nos dentes sobre o que o PC fazia. Antes que você conclua, nós não matamos o Paulo César Farias. Pelo menos, que eu saiba…

O problema é que no Governo Itamar, os compromissos assumidos anteriormente, ainda na era Collor (coisa pouco rara no Brasil) não foram cumpridos. Ficamos operando num escritório de transportadora que funcionava de fachada, montado numa cidade satélite até o fim do segundo mandato FHC. Aliás, se eu contasse o que tem de transportadora e empresa de aluguel de carros de fachada no Brasil, você não acreditaria.

As pressões só aumentaram, porque o governo pressionava para reduzir as verbas destinadas a pesquisa científica. Foi necessário criar mecanismos como caixa 2 e usar de expedientes vergonhosos, como empresas fantasmas. Criamos uma de táxi aéreo que até funcionou mesmo para burlar a emperrada máquina administrativa. É uma história longa e chata, que prefiro contar pessoalmente. O que interessa saber é que na última reunião, as coisas estavam claras que o Brasil não pretendia se retirar do tratado, mas o país foi pressionado pelos outros países, sobretudo os EUA para melhorar as operações de investigação e envio de material. Curiosamente, o número de casos de avistamento civil estava baixo, em contraste com os dados de satélite de rastreamento dos russos e americanos. Essa discrepância nos dados dava a entender que nós sabíamos mais do que deixávamos transparecer, o que até então, não era necessáriamente verdade. Posteriormente, soubemos que a FAB deixou de repassar grande parte dos dados que deveria ter feito. O contato dos órgãos de rastreamento passava por pessoas na FAB e seguia de lá para a central, que distribuía as ocorrências para os grupos. Quando expusemos a má vontade da FAB, aí apareceu uma explosão estatística de tráfego hotel em 1998, mostrando e confirmando a má vontade da Força Aérea para com a pesquisa oficial do assunto.

Mas até então, nossos relatórios mostravam que a atividade do tráfego hotel no país estavam praticamente estagnadas, com uma situação pontual eventualmente aparecendo em lugares distantes. 90% dos casos eram de abdução. No governo do FHC todo mundo trabalhou duro para conseguirmos efetivamente criar um ministério da defesa que abrigasse nosso grupo, pois o Brasil estava numa vexatória situação sobre isso com relação aos demais países. Havia também uma sutil pressão para o Brasil aderir ao sistema internacional de hierarquização do conhecimento aplicado a defesa. Em 1999 surgiu finalmente o ministério que queríamos e nós pensamos que agora tudo estava resolvido.

Levamos outra rasteira.

Quando o Lula assumiu, ainda no primeiro mandato, apareceu uma ordem de “proibição” de envio de informações. Não era exatamente uma proibição, mas um sinal para “segurarmos” um pouco. Haveria uma dança das cadeiras e isso poderia afetar o grau de silêncio das operações. No Brasil, devido a estrutura governamental e a influência de amigos políticos, cada governo que entra é uma ameaça nosso trabalho. Como todas as decisões são feitas longe dos olhares e conhecimentos dos políticos, incluindo presidente, ministros e parlamentares, é sempre um risco que alguém influente seja destituído para dar lugar a algum companheiro de sindicato. Daí, ficamos segurando um pouco as pesquisas e envios de dados até as coisas se estabelecerem no país. Nosso objetivo era passar o grupo para debaixo do ministério da defesa. Eles queriam estabelecer um sistema similar ao americano, com uma verba não declarada de uso militar.

A idéia, como muitas outras, era ótima, mas nunca aconteceu. Só complicou tudo ainda mais. Sem definição e com a lei do silêncio, ficamos praticamente decorativos. Veja só, um grupo especializado em Ufos, com praticamente vinte anos de prática invisível e totalmente decorativo.

O silêncio do Brasil para com o resto do mundo repercutiu mal. Ficou parecendo que havíamos descoberto alguma coisa importante e optamos para guardar pra nós. Os EUA fazem isso e todo mundo lá sabe, mas finge que não. Só que eles bancam sozinhos grande parte das pesquisas nesse campo. Já o Brasil dar uma de esperto, fica complicado.

A política do superávit foi matida ainda pior do que era no FHC2 e o silêncio Brasileiro sobre os Ufos foi fruto de incompetência e tumulto nos quadros de confiança. Nada mais. Só que ninguém acreditou que isso pudesse ser assim e a coisa ficou ainda mais feia pra nós. A Casa Branca sugeriu uma atuação mista pedindo inclusive a entrada dos grupos Norte-Americanos para operar aqui em parceria conosco. Em troca, ia entrar uma bolada do cofre sem fim deles, com cooperações em muitos aspectos, inclusive o aeroespacial, que era de interesse estratégico para o país, por conta dos satélites. Mas depois de uma enorme demora em responder, o Brasil recusou preemptóriamente alegando aquela conversa já manjada da soberania nacional e prometeu investir a própria grana aqui.

Foi quando o foguete explodiu. A coisa pegou mal. Fiquei sabendo de telefonemas entre os dois lados com acusações mútuas de chantagem e sabotagem. Tenha aquele episódio sido acidente ou sabotagem, usar essa fragilidade era o clássico e sutil modus operandi dos Estados Unidos empurrar seus interesses.

Mas o Brasil bancou o durão e prometeu investir. Até surgir a primeira crise política e parar tudo novamente.

Depois veio as eleições e mesmo com a crise, deu PT novamente. Em seguida, várias outras sub-crises. Algumas até problemáticas para nós, como a crise aérea.

Até uma nova chefia assumir, operamos em compasso de espera, tocando o nosso barco como podíamos. Finalmente realocaram o grupo e houve uma súbita pressão por resultados. Era fim de 2006 e no início de 2007 tivemos sinal verde para “mostrar serviço”. Foi isso que desencadeou a operação de Tasso Fragoso. Ficamos na cola daquela atividade durante quase 11 meses. Paralelamente, tentávamos uma reaproximação com os outros grupos, mas o Brasil já estava bem queimado.

Ficou pior ainda quando a FAB abriu um canal oficial de contato com os ufólogos, permitindo até mesmo a entrada de jornalistas na sede do CONDABRA. Eu acho que a FAB fez isso de sacanagem. Era a única explicação plausível. O que me leva a crer nisso, é que alguém an FAB provavelmente soube da situação do Brasil no grupo internacional e então manipulou deliberadamente os ufólogos e o Fantástico da Globo para mostrar algo chocante para os EUA. Foi um tipo de recado. Isso deu certo e gerou uma tremenda confusão, com ligações desesperadas dos gringos para evitar que o Brasil abrisse os seus arquivos. Além disso, pegava mal explicar que não tínhamos nada a ver com aquela decisão. Como esses descompassos malucos são típicos do Brasil, ninguém lá fora iria acreditar. A solução foi ficarmos quietos.

Como muitos países já estavam num processo de rever a liberação de informações, como por exemplo o CNES francês ameaçando liberar muita coisa que não convinha, os EUA ficaram igual a siri na lata, porque lá em Washington tem uma pilha quase da minha altura de processos contra o sigilo governamental, só esperando mais dados para bater firme no governo. Isso precipitou a viagem do Bush ao Brasil. Com ele, vieram os representantes do grupo.

Não sei como foi que isso se deu, mas depois da vinda do George Bush e sua comissão no país, surgiu um boato de que o Brasil iria ceder à pressão dos EUA e permitiria que os caras deles entrassem e operassem aqui. Além disso, voltaria a lei do silêncio total. O Brasil baixou a cabeça para o Tio Sam. Inclusive, aventou-se a hipótese de desmanchar o nosso grupo de pesquisa nacional e deixar tudo relacionado a ufos 100% na mão dos EUA, trocando os especialistas de campo por uma pequena comissão de dois ou três supervisores que acompanhariam os dados obtidos e enviariam relatórios para XXXXXXXXXXXXXXX saber o que se passava. Em troca, o Brasil daria sinal verde para os gringos.

O que seria feito do meu pessoal, de mim mesmo e do resto? Ninguém dizia. Começamos a nos reunir em pequenas reuniões informais para debater o nosso futuro.

Ficou claro que a desconfiança americana – na verdade o olho grande mesmo – colocou em grave risco nosso trabalho. Aliás, nossas vidas. Sabemos como são as coisas nessa área. Sem um trunfo nas nossas mãos, eles poderiam fazer como nos manuais da GRU, apagando os arquivos em uma série de acidentes isolados. Um assalto aqui, um ataque cardíaco ali, um atropelamento… Sabe como é.

Como ninguém aqui é burro e quer morrer, nós sabemos que o único jeito de evitar isso é tendo algo bastante valioso para negociar. Espero que tenha dado para entender os nossos motivos. Qualquer dúvida eu respondo na próxima mensagem.

Como prometi no último contato, demos uma pausa. Agora estamos enviando novas notícias, já que tem quase oito meses desde nosso email anterior.

Philipe, tenho boas notícias. O número três ainda está vivo. Tivemos alguns problemas em escondê-lo, porque ele estava muito agitado. Eu também ficaria se visse meus amigos ou parentes morrendo daquele jeito. Nós conseguimos esconder o número três na caçamba fechada da caminhonete e enviamos o ser para a propriedade de um compadre meu. Essa pessoa é da minha total confiança e não acreditava em ufos até ver aquilo. Foi engraçado ver a cara dele quando abrimos a caçamba. Passado o susto, o meu compadre nos ajudou a prender a criatura numa caixa de madeira e ajudou no transporte dela numa penosa viagem feita com duas caminhonetes (a minha e a dele) e o caminhãozinho trucado-baú de propriedade do cunhado dele, onde levamos a criatura de Santa Filomena para uma casa que fica os fundos de uma chácara alugada na periferia de Uberlândia. Foram vários dias de viagem, seguindo por estradas ruins para evitar os postos policiais. Embora alguns homens que estavam no comboio pudesse facilmente impedir o acesso dos policiais à carga, evitamos todos os riscos possíveis até Uberlândia. É onde ele está agora. Essa cidade foi escolhida por estar relativamente perto de São Paulo, Brasília e Rio.

Depois de despacharmos os materiais físicos e os corpos do 1 e do 2, tivemos que dar um tempo para esperar a “poeira baixar”. Eu achei que haveriam perguntas sobre a cápsula ter três assentos e só termos enviado dois corpos, mas ao que parece, ninguém se ateve a esta particularidade, já que não é a primeira vez que ufos com mais lugares aparecem contendo menos tripulantes. Ainda bem.

Por sorte, o lugar do pasto era bastante ermo e não teve testemunhas. Mas ainda assim foi um risco esconder ele num carro comum. Ainda mais com o coitado naquele estado. A viagem debilitou ele bastante, já que o calor no interior caminhão era insuportável. Tivemos que começar a viajar durante a tarde, noite e madrugada e parara de dia, porque ele com certeza ia acabar morrendo.

Nós seguimos as idéias que o senhor deu e ele ficou mais calmo mesmo. Meus subordinados estavam com medo, mas no fim, tudo deu certo. Sem a colaboração de todos, seria impossível fazer isso. É como o senhor mesmo falou, seria muita maldade entregar a criatura viva para os americanos. Com certeza dissecariam o infeliz e colocariam ele num daqueles aquários. Enquanto ninguém abrir o bico, e ninguém é maluco de fazer isso, ficaremos com este trunfo nas mãos.

Ainda não sabemos exatamente o que vamos fazer com ele, nem quanto tempo ele aguentará em cativeiro. Os nossos contatos poderão ser interessantes para apontar caminhos em que direção devemos seguir com essas pesquisas paralelas. Por enquanto, a nossa idéia é dar um tempo com a criatura lá na chácara até que saibamos mais sobre ela e a sua natureza. Então, depois de nos certificarmos que essa informação será mantida sob o sigilo que merece, pretendemos escolher alguns ufólogos para ver o 3 de perto e documentá-lo vivo. Até este dia, efetuaremos todos os exames, incluindo DNA e tudo mais. Tintim por tintim, mas você entende, nós não poderemos aparecer, pois isso poderia colocar até as nossas famílias em risco.

Esses dados e exames ficarão guardados num cofre e também em poder de algumas pessoas específicas, como o senhor. O alien será mantido como nossa garantia de sobrevivência. Caso algo aconteça com a gente, desculpe a grosseria, mas vamos “jogar a merda toda no ventilador”, e exporemos a criatura e os exames laboratoriais para o mundo, escancarando de vez com o segredo.

O nosso biólogo está mexendo os pauzinhos para conseguir o exame lá na Unicamp. Mas antes, precisamos nos certificar do grau de segurança, porque o exame precisa ser sem maiores perguntas, já que é bem possível que o resultado seja diferente de tudo que já andou neste planeta. O mesmo exame será feito em outros laboratórios. Por enquanto, precisamos ser o mais discretos possíveis.

Não pode ter furo. A apresentação do alienígena, caso o pior aconteça, precisa ser feita através do senhor, de modo que nossos superiores não desconfiem que um exemplar vivo vazou. Pedimos uma confirmação se o senhor aceitará intermediar o encontro de pelo menos três representantes e investigadores idôneos com o ser. Será uma preparação para o dia em que a verdade não poderá mais ser encoberta.

Caso afirmativo, envie os nomes das pessoas escolhidas e os números de contato. Na próxima mensagem mandaremos mais dados de como proceder.

Houve uma atividade mais intensa desde que capturamos as criaturas no dia 15 de março do ano passado. Pelos registros, outras naves vieram procurar pelas três criaturas capturadas em Tasso. Aconteceu uma grande descida de naves, com dois tamanhos. A cápsula maior igual a que já conhecíamos e uma menor. Nós temos suposições que sejam veículos táticos, de um único piloto, ou até mesmo objetos operados remotamente. Esses veículos funcionam como se fossem aviões de caça deles.

As descidas começaram na região norte e foram seguindo uma rota em sentido sul. Ficou claro que a atividade estava relacionada a buscas pela primeira nave, que duraram mais ou menos vinte dias.

Nenhuma das naves efetuou pouso. Foi uma varredura aérea a baixa altitude, que começou bem no pasto onde interceptamos a nave. Nós aproveitamos esta oportunidade para realizar estudos de registros de vídeo e emissão de ondas, mas sem grandes resultados além de fotos e vídeos de melhor qualidade do que as que já tínhamos.

Mas voltando ao numero três, nós pensamos que ele ia morrer. Ele ficou bem fraco. Eu cheguei a pensar em escrever para o senhor sobre o fato dele estar entre a vida e a morte, mas os outros acharam melhor esperar um pouco antes de fazer outro contato. O 3 recusou água e verduras durante vários dias. Ele ficou totalmente em jejum e acabou bastante magro. Com o tempo, ele foi ficando mais calmo e passou a temer menos a nossa presença. Eu acho que a música clássica foi uma ótima idéia e ajudou muito nessa adaptação. Mas ele não comia e isso nos preocupava muito.

Pudemos perceber que ele estava excretando de tempos em tempos um líquido viscoso com cheiro forte de amoníaco. Mais ou menos de três em três dias. Sempre no mesmo lugar do quarto. Concluímos que o sistema digestivo dele lembra o de algumas aves. Nós vamos analisar o material excretado para saber mais sobre o sistema biológico dele, mas isso ainda deve demorar um pouco. Se nós tivéssemos o 1 e 2 em nosso poder, tudo isso seria mais fácil. Mas as coisas são como são e não como gostaríamos, não é?

Devido ao lugar em que nós escondemos o número três, fica difícil fazer análises de qualidade sobre sua saúde. Não podemos correr o risco do povo descobrir que um deles está vivo e ainda mais que nós o escondemos. Os relatórios foram feitos com base em apenas dois tripulantes se descobrirem o 3 agora, isso com certeza vai criar um puta dum mal estar na cúpula. Ia ser um problema até mais sério que o de 1986, já que isso confirmaria a desconfiança dos gringos.
No final da segunda semana, após recusar a comer verduras, folhas e frutas, ele finalmente comeu alguma coisa. Comeu papinha de neném. Engraçado, porque ele sempre recusa a salgada, mas adora a doce. Ele tem comido papinha de frutas desde então. Para ele comer, nós colocamos a papinha num prato e deixamos no canto do quarto. Então ele fica sozinho lá por algumas horas e quando voltamos o prato já está vazio. O bicho nunca come na nossa presença. Ele demonstrou uma certa predileção por um canto e passa o dia todo emitindo aqueles zumbidos e estalinhos chatos ali. Nós estamos desconfiando que é uma espécie de mantra, música ou oração, porque já sabemos que ele fala e a voz dele não tem a ver com os zumbidos.

Ele emite uns estalos com a língua contra o céu da boca, mas são estalos mais baixos, e numa seqüência muito rápida. Isso provoca um tipo de silvo que lembra um barulho de abelha. É um som irritante. Ele faz isso na mesma hora, uma vez ao dia desde que foi preso. Por isso começamos a imaginar que é alguma forma de reza ou canto. Depois do ritual, ele fica mais calmo e acessível. É aí que entramos com a papinha e voltamos depois só para pegar a vasilha.

Nós ainda não temos certeza se ele é de outro planeta ou outra dimensão. Também não temos certeza se ele tem consciência total sobre o que está acontecendo com ele. A impressão que nós temos é que ele é o mais jovem naquele disco. O 1 e o 2 eram mais altos que ele. Ele mede 1,22m e os outros dois mediam 1,35 e 1,47.

Nesse período de convivência com a criatura mostramos fotos dos seres abatidos na tela do notebook.

Ele ficou impassível, olhando fixo para os dois sem demonstrar sofrimento ou emoção. Fizemos isso repetidas vezes e um dia ele emitiu um barulho, que foi sua primeira “fala” em cativeiro. Infelizmente, não estávamos preparados para aquilo e não gravamos. Foi uma série longa de barulhos, com intervalos que deu pra perceber, estruturava um tipo de frase, incompreensível pra nós, mas dava pra notar claramente que aquilo era uma fala. Comunicação oral em língua alienígena. Eu não estava naquele dia. Nosso companheiro que é o tratador foi quem ligou pra contar. Eu estava em Brasília por força dos negócios. No dia seguinte, voei para a fazenda o mais rápido que pude. Até aquele momento, nós pensávamos que ele não falava. Foi uma surpresa descobrir que estávamos errados.

Depois daquele dia, ele repetiu umas palavras da tal frase quando via o corpo do numero dois. Só com o dois, o que nos levou a imaginar que este ser tem uma ligação de algum tipo com o dois, mas não demonstra nada para com o corpo do um. Isso é algo ainda a investigar. Nós não mostramos aquela foto das vísceras pra ele porque não sabemos o que isso poderia provocar no comportamento dele. Na dúvida, vamos esperar.

Mostramos apenas as fotos dos rostos do 1 e do 2. Aquelas feitas com celular que eu enviei, eram do um. A do dois que eu mandei, o senhor não publicou.

O nosso visitante emitiu uma espécie de nome para o número dois. Era um som esquisito. Então nós tivemos uma idéia. Tiramos uma foto dele mesmo com a maquina digital depois e mostramos pra ele no próprio equipamento. Ele apontou para si mesmo e para a tela. Foi quando ele demonstrou ter conhecimento de si próprio. Ele emitiu um gemido estalado se reconhecendo e concluímos que aquele barulho só podia ser o nome dele.

Como o barulho era impossível de reproduzir, nós demos um nome humano pra ele: Juca, em homenagem ao pequeno ajudante do palhaço Bozo. Uma dessas idéias bobas e engraçadas que acabam dando certo. O nome pegou e agora só chamamos ele de “garoto juca”.

O pequeno Garoto Juca, como nós o batizamos, não nos deu tantas informações quanto gostaríamos que tivesse dado até agora, mas é óbvio que estamos fazendo progressos.

Nós fizemos as experiências que o senhor sugeriu, mas nenhuma forma de comunicação telepática foi obtida. Ele parece interessado em nós tanto quanto nós estamos interessados nele, mas nossa aproximação tem que ser feita com muito cuidado. Pra falar a verdade, é tudo muito parecido com um contato com índios.

O Juca não apontou para nenhuma estrela naquele mapa celeste. Nós mostramos a ele no notebook as fotos que o senhor mandou e ele ficou olhando fixamente para a tela. Mas não houve nenhuma reação que pudéssemos perceber como sendo um sinal de onde ele vem nem o que conhece. Pra falar a verdade não teve demonstração alguma de curiosidade com nenhuma galáxia. Abrimos um atlas pra ele e ele ficou olhando apenas para o planeta Terra. Num esquema simples do sistema solar, ele apontou para a Terra e nada além. Depois, em outra imagem, ele apontou para o Brasil.

Foram as duas únicas coisas pra onde ele apontou no atlas. Concluímos que ele sabe dizer onde está, mas não sabe, não quer ou não pode dizer de onde vem. Ele nem ri nem faz expressões faciais emocionalmente marcantes, ou mesmo reconhecíveis. A única reação emocional clara dele é a de medo e a tremedeira clássica que sempre acontece quando ele fica assustado. Dá pena de ver. O bichinho treme como vara verde.

Naquela noite no pasto em Tasso, quando o jogamos o infeliz no carro, ele tremeu tanto que eu pensei que estava tendo convulsões.

Ao contrário do que eu falei na primeira mensagem, ele não é tão inteligente como nós pensamos que seria um gray. Nós estamos sériamente desconfiados de que aquela nave deles é de alguma outra tecnologia, quero dizer, de alguma outra raça. O Juca não parece ser inteligente o suficiente para criar máquinas complexas como aquele disco voador. Este é um ponto em que nós não estamos de acordo, porque se pensarmos nos seres humanos, temos poucas pessoas mais inteligentes, muitas pessoas burras e um número deprimente de pessoas que são completamente idiotas. Se aqui é assim, lá pode ser também.

É o que eu costumo falar. Se a gente pegar alguém aleatóriamente no meio de São Paulo, qual a possibilidade de pegarmos um exemplar humano mais inteligente da população do planeta? 10%, 5%, 1%? Muito provavelmente, absolutamente menos.

Se for desse jeito, a ironia do destino é que o único que ficou vivo, é o mais retardado. O único que ficou ali parado tremendo e não correu pra nave nem pro mato. Eu estou apenas imaginando, mas pode ser que ele tenha sido treinado para fazer só uma determinada operação simples e não saiba nada além daquilo. Um dos nossos parceiros tem uma hipótese de que ele é um tipo de macaco, um bicho treinado para fazer certas coisas limitadas. Se for assim, as criaturas podem ser dispensáveis e o foco da tal busca está na recaptura da cápsula.

Mas isso não é uma coisa completamente definida, porque o Juca pode ser uma criatura esperta que está só se fazendo de idiota como forma de se proteger. Como ele não fala nossa língua e só temos ele, não podemos correr o risco de apertar demais e perdê-lo. Não podemos torturá-lo nem usar expedientes “menos ortodoxos”. Estamos seguindo por um caminho de conquistar a confiança dele.

O Juca gosta muito de doces. Ele agora está comendo tudo que seja doce. Mas tem que ser muito doce mesmo, e preferencialmente mole, pastoso ou viscoso. Ele rejeita sólidos como balas e chocolates. Isso me levantou a suspeita de que eles se alimentam apenas de líquidos. Acho que não tem nada muito doce lá no planeta dele, porque ele parece gostar muito de doces, avançando para o prato tão logo fechamos a porta (sabemos disso pelo barulho).

Seguindo nesta idéia, nós experimentamos oferecer mel de abelhas pra ele e deu certo. Na hora que for, você coloca mel no pratinho e dali a uns minutos, já não tem mais nada. Além disso, nós demos cobertura de sorvete pra ele. Ele bebeu água, mas em poucas quantidades.

Nossas observações do Juca tem mostrado que ele não dorme, mas entra num tipo de modo de letargia na parte da manhã e no fim da tarde. Nesse período, ele praticamente não se move e todos os reflexos ficam bem lentos. Durante a noite, ele fica bem mais ativo. Fiemos algumas conjecturas sobre isso. Se ele for de um outro planeta como tudo indica, pode ser que a rotação do planeta seja mais rápida que na Terra, e a noção de dia e noite pra ele é duas vezes mais rápida que para nós. No início nós pensamos que ele estava entrando em hibernação, reduzindo o processo metabólico em função da falta de alimentos, como fazem alguns animais na Terra. Mas depois de passar a comer ele continua saindo do ar nas mesmas horas.

Notamos também que ele não gosta de muita luz. Rejeitou violentamente a luz do dia numa manhã que tentamos levar ele para um “banho de sol”. Ele deu um tipo de “pití” na luz. Talvez isso ajude a explica a falta de referências a contatos imediatos com criaturas na luz do dia, sendo em mais de 90% das ocorrências no fim da tarde e durante a madrugada.

Embora recuse a luz do sol, ele não reage mal a luz artificial. Testamos com infravermelho e ultravioleta também. USando o controle remoto da Tv conseguimos notar que ele vê a luz infravermelha. Além disso, jogamos fachos de lanterna nos olhos dele e as pupilas não dilatam nem se contraem. Olhando de perto, dá pra ver que ele tem uma íris bem escura. Mais escura que a de um cavalo. Além disso, ele tem pálpebras que parecem ter a função de humidificar os olhos.

A boca dele é pequena, sem lábios ou mucosas aparentes. O interior dela não parece ter dentes, mas sim uma dura gengiva que se assemelha um pouco com a de crianças recém nascidas. Não pudemos examinar o Juca com detalhes. Sabemos isso pelo que vimos nos corpos dos outros. Pouquíssimas vezes ele permitiu que o tocássemos. Embora esteja acostumado com o tratador dele, eu e mais dois amigos, ele ainda é muito arredio ao toque e se assusta fácil.

Nos primeiros dias, quando achávamos que ele dormia, colocamos um colchonete pra ele dormir mas ele nunca nem chegou perto. Só ficava ali no canto, sentado no chão. Nós introduzimos uma cadeira de bar no quarto dele e depois de ver o tratador sentar algumas vezes naquela cadeira, ele sentou também e agora, senta-se eventualmente na cadeira.

Juca nunca esboçou reação de fuga ou algo assim. Não se aproxima da porta e as janelas estão trancadas com cadeado. Ele é curioso, mas excessivamente medroso.

O Juca tem 4 dedos nas mãos, sendo dois grandes e dois pequenos, que terminam numa espécie de unha grossa. Os pés são bem pequenos e tortos, sem unha, parecendo meio atrofiados. A pele é fina e com muitos vasos sanguíneos. O sangue é vermelho como o nosso e ele não é cinza. Parece uma espécie de cor de pele pálida, com alguns lugares mais avermelhados, como se fossem queimadura de sol em alguns pontos. Outras partes tem um tom meio despigmentado. Olhando bem de perto, dá pra notar máculas puntiformes de tom vermelho escuro, que dão o tom da pele. Lembra a pele de uma lula, mas é um pouco mais grossa que a da lula e não é gosmento. Não há orelhas, apenas um canal auditivo, sem pavilhão auricular. Nem órgão sexual aparente. A temperatura corporal é ligeiramente mais baixa que a humana. Há uma fenda discreta onde nós supomos que exista um órgão reprodutor embutido. Eles tem o ânus e esfíncteres similares aos dos humanos. Notamos isso também pela observação superficial dos outros corpos.

Não há pelo nem cabelo algum. Ele inclusive é muito curioso com o fato de termos cabelo. Fica olhando os nossos cabelos fixamente. Nós tentamos dar roupas de criança pra ele, mas ele recusa-se a vesti-las. Fica nu o tempo todo e não parece sentir calor ou frio. A cápsula dele era muito fria e eu pensei que ele iria sentir muito calor aqui, mas não notamos nenhum suor.

Ele respira ar normalmente. Nós nos preocupamos que de alguma forma ele pegue algum tipo de germe ou vírus. Isso provavelmente seria fatal para ele.

Nossas recentes experiências incluem tentar ensiná-lo a falar. Ele até aprendeu a falar algumas palavras simples, mas é como ensinar um macaco a falar. Os macacos só não falam porque são impedidos fisicamente. Mas o Juca fala. Ele ainda não articulou uma frase sozinho, da cabeça dele, mas estamos tentando fazer isso acontecer. Por enquanto ele só repete algumas palavras, como um autista.

No video que enviamos, você vai ver que ele está repetindo as coisas com certa dificuldade, mas precisamos ter paciência. Para chegar neste nível levamos mais de um mês massificando e repetindo diariamente as palavras. Nem sempre temos a paciência necessária para ensiná-lo e é frustrante em muitos momentos ver o alien só gemer barulhos incompreensíveis. Mas estamos persistindo. Não tratamos ele com ignorância. A ocorrência do vídeo foi um caso isolado. Eu relevo isso e tento manter a calma dos meus parceiros dizendo que ele está se esforçando. Está fazendo a parte dele. Se a situação fosse inversa, ninguém aqui conseguiria imitar a sessão de zumbidos dele.

Nós tentamos passar desenhos animados pra ele. Ele vê Bob Esponja de vez em quando, mas não ri e com muita certeza não compreende o que se passa no desenho. Fica mais interessado no aparelho da tevê. Ele olha o fio, os botões e tenta olhar pelas gretas de refrigeração do aparelho, interessado no interior. Nós desconfiamos que o nível de abstração dele é ligeiramente diferente do nosso. Tentamos dar alguns brinquedos pra ele, mas Juca não mostrou maior interesse, excetuando-se uma bola, que ele ficou girando as mãos, parecendo altamente concentrado por vários minutos. Tivemos que tomar a bola dele, porque ele ficava praticamente em transe com ela.

Tivemos medo que ele conseguisse alguma forma de comunicação com o povo dele, mas felizmente isso não aconteceu. A fazenda em que ele está é bastante afastada do local da captura e não houve nenhum avistamento significativo na região. Quando surgiram aquelas especulações de ufos amassando canaviais no interior de SP, tivemos receio que pudesse ser alguma nave chegando mais perto da região do cativeiro, mas até agora, ele está em segurança.

Bom, não quero me alongar mais nem tomar seu tempo. Já escrevi meia Bíblia aqui pro senhor. Se quiser, pode publicar daquele jeito que fez na última vez. Só peço que o senhor apague as partes sublinhadas. Pode reescrever o que achar melhor. E se fizer aquele esquema do conto, com certeza todo mundo vai aceitar.

Sobre o vídeo, acho que dá pra mostrar também. Se quiser passar para algum amigo ou ufólogo, fique a vontade. Se quiser cortar alguma parte, incluir uma marca d´água, link ou tirar o som, faça como quiser. Se fizerem perguntas, fale que é o mesmo boneco das fotos. Acho que o Juca vai passar fácil pelo 1 porque as fotos estavam ruins. Mas omita os dados sublinhados, Ok?

Sobre aquela questão da cápsula, já comecei a copiar os documentos. Mando mais informações no momento oportuno.

Espero que goste do video e das fotos. Desculpa pelo tamanho.

Fique com Deus

Ps: Invente um codinome bem impressionante aí pra mim. E não esqueça de fazer os procedimentos descritos no TXT para destruir o email aí no seu computador, Ok?







Essa pessoa que recebeu o texto existe, é o Philipe do blog Mundo Gump e ele afirma que o texto é ficcional. MAS ele já deu também uma entrevista pro Jô onde ele contou que já foi até ameaçado de morte por esse texto. Então agora é com vocês acreditarem ou não...

Vocês gostaram? Ele recebeu mais emails e o relato continuou, mas agora você pode ler lá no blog dele Mundo Gump! link: Relato de um MIB

Bons Pesadelos...

2 comentários:

  1. Finalmente terminei de ler as duas partes do relato. Valeu a pena, pois o texto é bem escrito e possui uma linguagem atraente. Acredito que poderia até ser feito um filme baseado em "Relato de um MIB".
    Aliás, só lembro de um longa-metragem sobre extraterrestres feito no Brasil, chamado "Área Q". Os cineastas brasileiros deveriam pensar mais nisso, porque o tema é intrigante.

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  2. Interessante vcs são uma equipe altamente treinada em captura de seres ou um grupo de torturadores da PM ???

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